Improvisos sobre uma Conversa de Botequim

Mais uma produção inusitada proveniente dos entremenhos do 3.º Intensivo de Choro de Torino! Um samba de Noel Rosa, Conversa de Botequim, foi completamente trasmodifimensionado de cabo a rabo e… deu no que deu.

Deborah Nurchis, voz
Marco Ruviaro, bandolim

Esta versão semi-minimalista pós-alternativa foi submetida a uma iluminação neo-clássica para dar um efeito meio que pré-renascentista. Segundo especialistas, tal objetivo não foi logrado em sua plenitude. Mas nada disso importa.

Gravação realizada no 3.º Intensivo de Choro, organizado pelo Clube do Choro de Torino entre 17 de Dezembro de 2011 e 4 de Janeiro de 2012, nos entornos da Praça Pixinguinha, no centro de Torino (Itália).


Um recado pro Rossini

Frutos do frenético desenvolvimento do Choro na Europa, novas composições borbulham a todo instante. Cá está mais um exemplo desse irrefreável movimento criatiavo: Um recado pro Rossini, um choro dedicado ao grande bandolinista pernambucano Rossini Ferreira.

Os que se vêem no vídeo abaixo acumulam, eles mesmos, as vezes de compositores e intérpretes desta modesta porém nobre homenagem. Não por coincidência, são eles os integrantes do sempre imperpétuo Trio Desvairada.

Denis 7 Cordas, violão
Marco Ruviaro, bandolim
Luigi Gentile, cavaquinho

Tudo começou quando Denis trouxe na sua mala, em meio a cordas, meias e partituras, a primeira parte desse Choro. “Compus a primeira parte”, disse ele em vieses triunfantes, “e agora cabe a vocês concluí-lo”, emendou sem margem a discussões. Comissionando-no-lo com tanto entusiasmo, logo Cinghialetto e eu nos pusemos a compor o que restava.

Penou-se aqui e ali, mas algumas semanas depois estava pronto Um recado pro Rossini. Por razões desconhecidas, ainda que hoje sejam atribuídas à demassificação cósmica dos prótons neutrinos, a gravação de tão peculiar Choro realizou-se somente um ano depois de sua composição: no 3.º Intensivo de Choro, organizado pelo Clube do Choro de Torino entre 17 de Dezembro de 2011 e 4 de Janeiro de 2012.

A execução, como não poderia deixar de ser, ficou a cargo dos próprios eles mesmos… Denis no 7 cordas, Marco no bandolim e Javali no cavaquinho. Deleitem-se, se puderem.


Camundongo, por Fernando de la Rúa y Marco Ruviaro

El pequeño ratoncito que paseaba tranquilamente por las calles de Madrid jamás podría imaginar, se le hubieran dotado de imaginación, que ahí en las cercanías le estaban prestando un homenaje.

Fernando de la Rúa, excepcional guitarrista y amigo ya desde hace muchos años, tocaba la guitarra 7 cuerdas y yo el mandolín. Estábamos haciendo en la noche del Continue lendo


Odeon, de Ernesto Nazareth

Para quem leu o post imediatamente anterior, já é fato líquido, sabido e certo que Thierry Moncheny e Marco Ruviaro (sempre eu!) gravamos alguns choros em uma fatídica manhã na Picardia. O elemento motivador deste post é exatamente uma das gravações resultantes dessa experiência picárdica, o velho e bom choro Odeon, que recebe o nome de um cinema em que tocava Ernesto Nazareth, pianista e compositor que, via de regra, dispensa apresentações.

Odeon, Ernesto Nazareth

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A bela manhã na Picardia (norte da França) aconteceu na casa do Thierry Moncheny no dia 31 de Março de 2011, em meio à Floresta dos Carnutos, onde druidas de diversas regiões se reúnem anualmente para debater sobre Choro e, tempo sobrando, também outras questões de suma importância.


Língua de Preto, de Honorino Lopes

Foi em uma manhã de Picardia que Thierry Moncheny e Marco Ruviaro (sim, eu) gravamos este belo choro de um músico que morreu precocemente de tuberculose, aos não mais do que 25 anos de idade. Sim, trata-se de Honorino Lopes. De seu legado consta tal choro, mas não somente ele, Língua de Preto. Dada a peculiar excelência de tal obra, não me resta que convidar todos a saboreá-la em nossa humilde versão.

Língua de Preto, Honorino Lopes

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Naturalmente, certos tipos de imprecisão e outros elementos de sorte não-preciosista são facilmente encontrados nesta nossa gravação; pois bem, era exatamente esse o propósito, gravar tal como viesse. Objetivávamos ainda um pouco de Pixinguinha e Philippe Glass; pessoas de nossa confiança afirmaram que não deu lá muito certo.

A bela manhã na Picardia (norte da França) aconteceu na casa do Thierry Moncheny no dia 31 de Março de 2011, em meio à Floresta dos Carnutos, onde druidas de diversas regiões se reúnem anualmente para debater sobre Choro e, tempo sobrando, também outras questões de suma importância.


A vida é um buraco, de Pixinguinha

Já se passaram quase dois meses do término do 2.º Intensivo de Choro, e temos ainda muita coisa registrada que permanece inédita! Dentre as incontáveis centenas de gravações em áudio e vídeo, encontrei um choro particularmente divertido e publicável…

Essa gravação possui uma característica muito interessante: saiu do jeito que veio. Nada foi ensaiado ou arranjado; simplesmente ligamos as câmeras e os microfones, amordaçamos a velhinha que gritava da janela defronte com um passante, e voilà!, mandamos ver no choro. Trata-se na realidade uma bela de uma polca, do sempre maestro Pixinguinha.

A vida é um buraco, Pixinguinha

Eu diria que a vantagem desse tipo de processo produtivo, imprevisível e irreverente, onde a improvisionabilidade suplanta a perfeição, é o revolucionar-se dos tradicionais e antiquados meios de execução musical. Tudo feito de primeira, na raça, sem margem para grandes arranjos e estudos prévios.

Para a execução de A vida é um buraco — tema atualíssimo, diga-se de passagem — fomos convocados eu mesmo para tocar violão 7 cordas, e o Javali do Cavaco para, obviamente, tocar cavaquinho. Uma notinha errada aqui, uma baixaria meio mal-colocada acolá, mas nada disso importa. O que importa é que Saiu do jeito que veio.


Escorregando, de Nazareth

Dando continuidade às surpresas pipocantes que o 2.º Intensivo de Choro (promovido pelo Clube do Choro de Torino) nos prepara a cada novo raiar do dia, segue pois esta decomposição improvisativa.

Escorregando (Ernesto Nazareth), vídeo em alta definição

A sucessão de elementos musicais de sorte variada permeia audaz o transcorrer das três partes deste belíssimo tango brasileiro do compositor Ernesto Nazareth.

Os músicos são Marco Ruviaro ao bandolim, Javali ao cavaquinho, Fabrizio Forte ao violão 7 cordas, e Thierry Moncheny ao violão percussivo esporádico.


Verão não chega

Já não é novidade para ninguém que o 2.º Intensivo de Choro promovido pelo Clube do Choro de Torino foi qualquer coisa de excepcional. Mas as surpresas pipocam por todos os lados… como por exemplo este interessantíssimo choro.

Verão não chega (Denis 7 Cordas), vídeo em alta definição

Tratra-se de um choro composto pelo grande camarada Denis Continue lendo