Bandolinista

Bandolinista

Considero-me auto-didata no bandolim, a não ser pela época em que meu avô me ensinou algumas músicas. Pouco antes de ele falecer, em 2002, minha avó Thereza confiou-me o bandolim dele. À essa época, eu morava em Curitiba, no Estado do Paraná, e já tocava violão 7 cordas, o que me incentivou a voltar a estudar esse tradicional instrumento solista de Choro.

Meus principais projetos bandolinísticos são o duo Baguá, com o violonista brasileiro Fernando de la Rúa (radicado em Madrid), o Brasileirices Choro Trio, com o violonista Roberto Taufic e o percussionista Gilson Silveira, e o New York Choro Duo, com o violonista César Garabini, que reside em Nova York.

Tocando bandolim em algum lugar de Madrid

Tocando bandolim em algum lugar de Madrid

Entre 2003 e 2004, fiz parte do Quinteto em Cinco, um conjunto “experimental” de Choro. Participei ainda como bandolinista, e às vezes também violonista 7 cordas do conjunto Língua Brasileira. A instrumentação solista do Língua Brasileira era sugestiva: bandolim, clarinete, cavaquinho e clarone. Cada arranjo era uma novidade…

Não posso deixar de citar o conjunto Sabiá Laranjeira, que ficou conhecido como Ponte-Aérea, por ter somente integrantes do Rio de Janeiro e de São Paulo. O conjunto, formado na Oficina em Mendes, se reúne esporadicamente e executa um repertório diferente a cada encontro, seja no Rio, em São Paulo ou em Turim.

Estudei inicialmente o repertório básico, de nomes consagrados como Pixinguinha, talvez o maior compositor de Choro; Jacob do Bandolim, o “pai” dos bandolim brasileiro; Luperce Miranda, um virtuose romântico do bandolim; Severino Araújo, clarinetista pernambucano, líder da famosa Orquestra Tabajara; e Paulinho da Viola, consagrado sambista carioca. Estes compositores nunca faltaram em uma boa Roda de Choro — como por exemplo a roda do luthier Manoel Andrade (que lamentavelmente faleceu em 2013, em São Paulo), e a da feira em Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Nada como tocar um pouco de bandolim de vez em quando

Nada como tocar um pouco de bandolim de vez em quando

Além do importantíssimo trabalho de manter vivo o repertório tradicional de Choro — que cabe a todos nós, chorões —, dedico-me a estudar diversas gerações de compositores, desde os primeiros tempos até os atuais. Incluo nessa abrangentíssima lista nomes que vão desde Irineu de Almeida, Frederico de Jesus, Patápio Silva e Anacleto de Medeiros até Cristiano Nascimento, Maurício Carrilho, Pedro Amorim, Joel Nascimento e Afonso Machado, que dos nomes atuais são apenas alguns dos que contribuem para a constante evolução do Choro, que é talvez o gênero mais difundido da música instrumental brasileira. Não posso deixar de citar também nomes como Guinga e Hermeto Paschoal – que não são chorões, mas de vez em quando nos presenteiam com alguns choros incríveis.

A produção chorística é cada vez maior hoje em dia. Tenho grandes amigos que, além de exímios bandolinistas, são também premiados compositores, como por exemplo o Daniel Migliavacca (de Curitiba), o Ricardo Marques (de Salvador). Pouco a pouco tenho incorporado choros deles em meu repertório. Desde 2009, tenho intensificado o meu trabalho de composição.

A composição choro-bandolinística avança com altivez

A composição choro-bandolinística avança com altivez

Participei de cursos de bandolim em poucas ocasiões, em duas Oficinas de Música. Em Londrina (Paraná), em 2002 e em 2004, tive aulas com Joel Nascimento e, em dezembro do mesmo ano, com Pedro Amorim, na Oficina de Choro da Escola Portátil de Música, em Mendes (RJ). Além das aulas de instrumento, participei das aulas práticas de conjunto, que foram coordenadas sempre pelos chamados mestres-oficineiros, como por exemplo Maurício Carrilho, Luís Otávio Braga, Luciana Rabello, Jayme Vignoli etc.

Devido à minha formação violonística, a postura com que toco bandolim é totalmente diferente da postura geralmente adotada. Depois de vários experimentos, a forma com que melhor me adaptei é mantendo o braço do instrumento mais ao alto e posicionando o bandolim mais ao centro do corpo, sem “agarrar” o braço do instrumento.